em Projeto

Garantir a liberdade de ir e vir dentro da própria casa é fundamental para a qualidade de vida. Para quem utiliza cadeira de rodas, a escolha dos materiais de acabamento vai muito além da estética. Ela impacta diretamente na segurança, na autonomia e no conforto diário.

Um projeto arquitetônico verdadeiramente inclusivo precisa observar detalhes que muitas vezes passam despercebidos, como a textura e a aderência do chão. Superfícies escorregadias ou irregulares podem representar riscos graves de acidentes e dificultar a locomoção.

Neste artigo, vamos explorar as melhores opções de revestimentos para acessibilidade e o que as normas técnicas brasileiras dizem a respeito. O objetivo é ajudar você a transformar ambientes em espaços seguros e acolhedores para todos.

O que dizem as normas técnicas sobre pisos?

Seguir as diretrizes oficiais é o primeiro passo para um projeto seguro. No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estabelece na NBR 9050 os critérios para acessibilidade em edificações, mobiliário e espaços urbanos.

Segundo a norma, os pisos devem ter superfície regular, firme, estável e antiderrapante, sob qualquer condição (seja seco ou molhado). Isso evita que as rodas da cadeira deslizem sem controle ou que haja trepidação excessiva, o que pode causar espasmos ou desconforto físico ao cadeirante.

A NBR 9050 também aponta que a inclinação transversal da superfície não deve exceder 2% em pisos internos e 3% em externos, garantindo estabilidade durante o trajeto.

Melhores opções de revestimentos para acessibilidade

Nem todo material atende aos requisitos de segurança e conforto necessários para a circulação de uma cadeira de rodas. Veja abaixo três opções recomendadas que unem funcionalidade e beleza.

Piso Vinílico

O vinílico é frequentemente apontado como uma das melhores escolhas para acessibilidade. Sua superfície oferece uma textura que, embora lisa o suficiente para facilitar o deslize das rodas, possui características antiderrapantes que garantem tração e segurança.

Outro benefício é o conforto térmico e acústico. Ele não esfria tanto quanto a cerâmica e abafa o ruído da movimentação da cadeira. A resistência a riscos e a facilidade de limpeza também contam pontos a favor, especialmente em áreas de grande circulação.

Pisos de Madeira

A madeira traz aconchego e elegância, mas exige atenção. Para ser segura, ela deve receber tratamento antiderrapante ou possuir uma textura natural que ofereça aderência. Superfícies de madeira muito polidas ou envernizadas em excesso podem se tornar perigosas.

Se a opção for por madeira maciça ou laminados, certifique-se de que o acabamento é fosco ou acetinado, evitando o brilho intenso que geralmente indica uma superfície mais lisa e escorregadia. A madeira também permite reparos pontuais em caso de danos causados pelo atrito constante.

Cerâmica e Porcelanato

Muito populares pela durabilidade e variedade estética, os pisos frios como cerâmica e porcelanato podem ser utilizados, desde que com a classificação correta. É indispensável optar por modelos com acabamento acetinado, rústico ou especificamente antiderrapante (muitas vezes classificados com alto coeficiente de atrito).

Evite porcelanatos polidos em áreas de circulação. Embora bonitos, eles se tornam extremamente escorregadios com qualquer respingo de água. Modelos retificados permitem juntas menores, o que cria uma superfície mais plana e facilita o rolar da cadeira, evitando solavancos.

Outras adaptações essenciais para a circulação

A escolha do piso é apenas uma parte da adequação. Para que o ambiente seja funcional, outros elementos precisam trabalhar em conjunto com o revestimento escolhido.

  • Rampas de acesso: Desníveis devem ser vencidos por rampas. Conforme a NBR 9050, a inclinação máxima recomendada é de 8,25%. Rampas muito íngremes exigem força excessiva e podem causar tombamentos.
  • Largura das portas e corredores: As portas devem ter largura livre mínima de 80 cm (sendo 1 metro o ideal para maior conforto) e corredores precisam de pelo menos 90 cm de largura para permitir a passagem sem raspar as mãos ou as rodas nas paredes.
  • Áreas de giro: É necessário prever espaços onde a cadeira possa fazer um giro de 180° ou 360°. A norma sugere um diâmetro livre de 150 cm para garantir essa manobra completa.
  • Cuidado com tapetes: Tapetes soltos são grandes vilões da acessibilidade. Eles podem enroscar nas rodas e causar travamentos bruscos. Se forem indispensáveis na decoração, prefira modelos de cerdas curtas, fixados ao chão com fitas adesivas potentes ou com base totalmente antiderrapante.

Planeje sua reforma com foco na inclusão

Adaptar uma residência para torná-la acessível é um investimento na autonomia e na segurança de quem você ama. Escolher o piso correto elimina barreiras invisíveis e transforma a casa em um verdadeiro lar, onde a mobilidade não é um obstáculo.

Se você precisa de ajuda para desenvolver um projeto arquitetônico que respeite todas as normas de acessibilidade e ainda mantenha o estilo e o conforto, conte com a Cuba Thao Arquitetura.

Nossa equipe em Curitiba é especializada em criar soluções inteligentes para reformas e construções residenciais.

Entre em contato conosco e solicite um orçamento para o seu projeto.

Postagens Recentes
Metodologia BIM na arquitetura o que é e como revoluciona os projetos